Home

Nagib Anderáos Neto

Tempo Não é Dinheiro

 

A falta de tempo é um drama dos tempos modernos por que as pessoas vão

deixando de pertencer a si mesmas, transformando-se em escravas de

compromissos diversos.

A velha máxima americana, que diz ser tempo dinheiro, transformou-se num

preconceito, a dificultar a solução do problema da falta de tempo, e

afligir tantos seres humanos.

A realização do sonho da liberdade individual deveria começar por aí:

liberar-se da escravidão imposta por compromissos e má administração da

vida.

Há muitos fatores que levam à perda de tempo; um é o principal: perde-se

tempo quando não se pensa e age mecânica, rotineiramente, seguindo os

pensamentos e ideias pensados por outras pessoas.

A função de pensar, entorpecida por preconceitos e crenças retrógradas,

deve ser ativada em função de um grande objetivo, que norteie a vida do

ser humano nesta breve passagem pela Terra: evoluir e colaborar com os

outros seres humanos neste sentido.

“O tempo é a essência oculta da vida”, escreveu certa vez o pensador

González Pecotche; compreendê-lo e administrá-lo, inteligentemente,

livrando-se da tirania dos ponteiros do relógio, é uma tarefa cujos

resultados são infinitamente superiores ao esforço empreendido.

Dizer que tempo é dinheiro é tão absurdo como imaginar que Deus seja um

banqueiro.

A fuga do tempo existe para quem não consegue retê-lo e multiplicá-lo.

Neste caso, os ponteiros do relógio representam uma tortura constante.

Não há tempo suficiente para o cumprimento dos compromissos e

obrigações. O tempo passa muito rápido e escraviza a pessoa que

julga ser ele dinheiro, e, como tal, sempre lhe falte.

Os dias que se sucedem monotonamente são noites mentais, pedaços de vida

que se desprendem da pessoa, deixando o saldo do vazio interior, a

sensação de inutilidade, o esquecimento, o temor pela morte, a

caminhar em sua direção a passos largos.

O tempo de vida do ser humano pode transcender a mensuração limitada das

horas, dias e anos, que se somam na trajetória definida entre o instante

do nascimento e a transição para a morte. Esta ampliação do próprio

tempo é uma consequência da ampliação da vida mental, a verdadeira.

Nesta esfera se pode viver muito ou pouco, dependendo dos conhecimentos

que se tenha.

Os tempos de evolução caracterizam-se pelo esforço continuado na busca

do conhecimento e ampliação da consciência. Para aproveitar o tempo é

necessário aprender a pensar; produzir soluções luminosas para os

problemas individuais e coletivos que vive o homem de hoje.

Administrar bem o tempo significa acumulá-lo dentro de si; ser

consciente daquilo que se viveu e ter um plano para a vida futura. Um

domínio sobre si e um objetivo definido para a vida que se está vivendo;

todos os atos e pensamentos imantados por um grande objetivo, que

abarque o aperfeiçoamento individual e coletivo da espécie humana.

Significa encarar a vida como um grande campo experimental de

aprendizado e realização.

Tempo é vida e pode ampliar-se, indefinidamente, independente do

monótono movimento dos ponteiros do relógio.

 

Fale Comigo

nome:

Newsletter

Receba Nossas novidades


Cadastrar

Siga-me

 

Artigos e Crônicas