Artigos e Crônicas

Cegueira mental

 

Já se disse que o maior cego não é o que não quer ver, senão entender: olhar a si mesmo e os semelhantes, com o objetivo de transcender os estados de inconsciência, os quais tornam as pessoas desatentas e afastadas da verdade.

O homem nasceu para ser feliz e aprender a se conhecer e ser livre. A grande escravidão é a mental, onde se vê encarcerado na ignorância, a pior das prisões: o desconhecimento de sua realidade, das causas dos erros e desacertos, um presidiário em sua casa, embora perambulando em aparente liberdade pelas ruas, cercado por temores e incertezas.

A verdadeira torre de Babel está aí; os que falam o mesmo idioma não se entendem. A linguagem inscrita na natureza ainda não foi decifrada pelo pequeno homem pretensioso, vaidoso e político. Homens divididos são domináveis, escravizados pelos que em tudo veem a possibilidade de satisfações materiais, cegos por inconfessáveis ânsias de domínio, poder e riqueza.

Pensar é respirar. O Universo o faz, por mais que queiramos abafar e aquecer o pequeno planeta com o gás sufocante de um pseudo-progresso.

A Terra é um ínfimo na Criação imensa. A inteligência pode ser grande. A alma a transcender este hiato decaído e se projetar num futuro ilimitado, onde os homens sentirão a alegria de viver e serem humanos.

Os déspotas, os impostores e os predicadores são os inimigos da liberdade; não querem que o homem pense e seja livre, ao invés de viver isolado e encarcerado.

Em uma interessante explicação sobre o que seria a observação consciente, González Pecotche diz que “quando se enxergar um defeito no semelhante, deve-se ver esse defeito como se fosse próprio; tudo que se veja de mau ou defeituoso, ou que faça experimentar desgosto – sejam atitudes, modos, gestos, palavras ou ações -, deve servir para fazer uma apreciação acerca daquilo que pudesse haver de parecido no quadro psicológico de quem observa. Nesses momentos, deve-se chegar até a experimentar a sensação de que somos nós mesmos que estamos no lugar dos observados. Mais tarde, em seu ateliê, o gênio escultor aperfeiçoará sua escultura, modelando-a, retirando dela esses defeitos que viu como um retrato seu estampado nos demais”.

No interessante artigo sobre a arte de criar a si mesmo, o pensador esclarece sobre o que seria abrir os olhos, mentalmente, usando a inteligência para aperfeiçoar-se; como a convivência poderia ser útil nesse sentido. Os preconceitos e as crenças fecham os canais do entendimento, os olhos da inteligência, e “ paralisam a nobre função de pensar”.

E o maior dos preconceitos diz que não podemos mudar, pois viemos aqui para sofrer, quando, na verdade, viemos para aprender e ser felizes.

Escrito por:  Nagib Anderáos Neto
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