Artigos e Crônicas

A Celebração da Amizade

 

Há algum tempo recebíamos a notícia da morte de um amigo, e refletíamos que o ausente deveria ser recordado, para não morrer pela segunda vez; a sua sobrevivência dependeria, em parte, dessa recordação, que seria um tributo àquele espírito a continuar a viver entre nós.

Revendo um ensaio de um pensador americano, Emerson, não pude deixar de recordar aquele dia, e fazer algumas reflexões , pois serão os amigos que estarão presentes nas celebrações da vida e da morte.

A amizade não pode ser uma ligação passageira e interesseira, senão a confortante experiência de estar acompanhado. E não se pode ser amigo de alguém, se não se é de si mesmo.

O sopro divino que habita o coração dos amigos desconhece as grosseiras muralhas dos defeitos pessoais.

A amizade, em seu profundo significado, implica o amor, que é a síntese e essência do Deus único.

Um amigo é como um espelho, o qual pode nos ajudar no caminho evolutivo. Nesta mágica relação poderemos aprender a não incomodar e não ser incomodados.

Diante da morte de um amigo, ausência irreparável, deveríamos pensar que a vida celebra a vida, e a alegria e a amizade sustentam o ser humano nos anos de sua vida terrestre. E essa ausência não é mais que um sinal e

convite para continuar  a nos vermos e falarmos através da recordação.

A amizade é um sentimento que dignifica a espécie humana; capaz de elevar a conduta a níveis de desprendimento, humanismo e heroísmo,  a surpreender a opinião do mais frio observador. No entanto, é fugaz, efêmera. Quantos distanciamentos incompreensíveis, sofrimentos, nas separações jamais cogitadas ! Quanta incompreensão!

E a que se deve tudo isto? Por que o sentimento morre como se nunca houvesse existido?

Esta é a pergunta que cada um deve fazer a si mesmo ao contemplar a sua incapacidade por conservar o que um dia julgou justo, belo e imorredouro.

O que não se chega a compreender é que a manutenção da amizade exige a correspondência do afeto. Em geral, espera-se tudo da outra pessoa; que ela dê tudo ; de si próprio se quer dar muito pouco, ou quase nada. Se a posição pessoal fosse oposta, se não se esperasse quase nada do amigo, dando o máximo, certamente muitas amizades seriam preservadas.

A amizade é uma das maiores riquezas. O esforço que se faça por preservá-la , será largamente compensado pela correspondência espontânea do afeto prodigado.

Um amigo é uma riqueza imponderável a nos acompanhar sempre. Nem mesmo o distanciamento ou a morte poderá abalar uma amizade conscientemente cultivada. Cada amizade é uma planta, que, de semente,  poderá florir, se dispensarmos a ela o cuidado exigido por todo o permanente em nossas vidas.

Esse sentimento superior deve ser despojado de qualquer interesse pessoal ou mesquinhez, começando por sermos amigos de nós mesmos, ensaiando as gentilezas, a sinceridade e o afeto com nossa pessoa, e quem sabe ele deixe de ser palavra morta, expressão literária, e possamos experimentá-lo em sua plenitude em nossos corações.

Escrito por:  Nagib Anderáos Neto
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