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Nagib Anderáos Neto

Conhecimento Versus Agnosticismo e Criacionismo

 

Tudo o que sei é que nada sei, teria dito Sócrates, a personagem de Platão. Eu menos, pois nem sei se nada sei, escreveu Fernando Pessoa no poema Agnosticismo Superior.

 

O agnosticismo só admite conhecimentos adquiridos pela razão e evita qualquer conclusão não demonstrada. Ele trata as questões metafísicas como discussões inúteis, por serem realidades incognoscíveis.

 

Quem formulou o tema por primeira vez foi o biólogo inglês Huxley no século XIX. Em sua origem, a palavra significa o oposto ao conhecimento. O sentido empregue pelo cientista parece ter sido de que Deus jamais poderia ser conhecido.

 

Os homens criaram um deus a sua imagem e semelhança, uma personagem na qual se poderia acreditar ou não. O agnóstico não acredita naquela invenção, pois o deus criado pelos homens expulsou-os do paraíso, por terem provado o fruto proibido do conhecimento.

 

Paradoxalmente, os agnósticos não acreditam na não existência de Deus.

 

São lucubrações realmente confusas. Se Deus se confunde com a Criação, como um homem com sua vida, filhos, amigos, obras, Ele pode ser conhecido.

 

O conhecimento do Universo físico, como a ciência tem empreendido, é uma forma de se chegar a Ele; o da figura humana, em sua conformação psicológica e espiritual, é uma complementação daquele. Pensamentos, sentimentos e emoções não são físicos, mas metafísicos e cognoscíveis. A realidade deste mundo é tão ou mais eloqüente que a do físico, por ser aquele o das ideias, ideais, projetos, sentimentos, pensamentos e sonhos. Ao sonhar, podemos vivenciá-lo. Todo artista toca neste mundo ao criar a sua obra e experimenta uma sensação sublime e indizível ao fazê-lo.

 

Para os evolucionistas, o homem e o macaco teriam uma ascendência comum. Eles descartam a existência de Deus e concebem o Universo como obra do acaso. Os criacionistas acreditam que Deus criou o mundo como ele é; e também o homem. Há os que jugam ser Deus o início de um Universo em movimento, evolução e transformação, e está presente em sua Obra.

 

A biologia evolutiva é uma realidade, e há muito a descobrir e aprender sobre seus processos. O homem pode experimentá-los em si, e não apenas constatá-los materialmente. A evolução não se dá apenas por seleção natural, ela pode ser realizada por seleção mental de pensamentos e ideias, que tendam à evolução. Não é uma ilusão sermos súditos privilegiados nesta parte do Universo, por termos mente e sensibilidade; capacidade de criar.

 

A crise atual é cultural e espiritual, e tem afastado o ser humano de seus irmãos pelos fanatismos, idolatria e ignorância. Tudo evolui. O homem precisa evoluir para deixar de ser crente no que desconhece. Só o conhecimento libera.

 

Não somos um tipo de macaco que reluta admiti-lo, e sim seres humanos que evoluem biologicamente e podem chegar a fazê-lo espiritualmente.

 

O ponto de conciliação entre criacionistas e evolucionistas é o que aponta o Universo como a face visível de Deus, e suas Leis, a invisível.

 

O homem nasceu para ser livre. Sua tristeza é ver-se acorrentado à escravidão mental imposta por preconceitos. Cada qual pode ser seu próprio Deus, experimentando a liberdade e a consciência de existir. Os grilhões mentais são cruéis como os que sangraram os corpos dos antepassados, a nossa vergonha, e de Darwin.

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