Artigos e Crônicas

Vovó Cotinha

 

Lá pelos idos de 84, a avó brasileira, a Cotinha, linda, de olhos azuis,
Oliveira, meio portuguesa, judia, encantadora, já com seus 91 anos, me
chamou ao lado e disse: Neto, assim me chamavam, cansei de viver, quero
partir.
Aquilo partiu o meu coração.
Eu deveria  estar com uns 36 anos, gostava tanto dela. Não entendi.
Mas ela quis, e se foi naquele ano.
Convivemos por 36 anos.
Foi muito triste para mim.
Mas hoje entendo.
De repente, é chegada a hora de partir.
Passado um grande tempo,
Meu espírito segredou-me palavras,
Que se transformaram em versos,
E traduziram aquele momento sublime,
Transcendente:

PARTIDA

Chegado o tempo de partir,
Não há como resistir.
Prende-nos coisas, sonhos,
Livros, textos,
Os filhos,
Amigos, o Amor,
Tanta cousa a nos prender.

Mas, chegada a hora,
Haveremos de nos desprender,
E no momento decisivo,
Ao largar tudo o que nos fez cativo,
Resta-nos a sublime sensação
De recordar
O que fomos,
Não fomos,
E o que poderemos
Ser.

Nagib Anderáos Neto
Outono 2015

Escrito por:  Nagib Anderáos Neto
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