O Mito de Dédalo

O Mito de Dédalo

 

A mitologia grega atribui a um notável arquiteto ateniense a construção do palácio do rei Minos, o Labirinto, com uma infinidade de cômodos dos quais só o próprio Dédalo era capaz de sair.

 A passagem mitológica remonta ao ano 2800 antes da era atual e conta que no Labirinto da ilha de Creta fora colocado o terrível Minotauro – meio homem, meio touro -, que se alimentava de carne humana. A existência da fera também é atribuída a Dédalo, que teria construído um simulacro de bronze onde a esposa do rei teria se escondido e concebido de um touro aquele ser monstruoso. Por tal fato, o rei teria mandado prender Dédalo e seu filho Ícaro, naquele mesmo Labirinto onde o arquiteto fabrica dois pares de asas que coladas com cera nos ombros lhes permitisse fugir. Ícaro perde a vida por desobedecer às instruções do pai e aproximar-se muito do sol, derretendo a cera que lhe colava as asas, caindo no mar Egeu.

Dédalo construiu um enorme palácio onde as pessoas se perdem, asas fantásticas para seu filho, que morre num vôo insano, e um simulacro, que permitiu a concepção de um homem-fera, o Minotauro.

Suas obras têm muito a ver com as humanas; ao invés de servir ao homem, são a causa de sofrimentos indizíveis. 

O engenhoso ser humano é um desafortunado Dédalo, que usa a sua inteligência para construir monumentos e máquinas, que servem para atormentá-lo e fazer sofrer: alçar-se ao espaço para poder matar os seus irmãos; criar diversões fantásticas, que imobilizam o espírito e a inteligência, transformando homens em verdadeiros animais a destruir a Natureza e a si mesmos em guerras infidáveis.

Ícaro julgou poder elevar-se por sobre as misérias humanas e aproximar-se do sol, fonte da vida e do conhecimento. Por tal pretensão pagou com a vida, pela insensatez de querer escalar as alturas metafísicas do conhecimento superior levando sobre os ombros o peso de preconceitos e crenças seculares, tão bem simbolizados pelas angelicais asas do filho de Dédalo.

O mito ilustra sobre a inutilidade das obras humanas, quando não revestidas de um caráter a transcender a materialidade vulgar, e sobre a diferença fundamental que há entre dois tipos de conhecimento: o comum e o superior.