O Panteísmo de Emerson e Spinoza

O Panteísmo de Emerson e Spinoza

 

Baruch Spinoza (1632-1677) era considerado por Ralph Waldo Emerson (1803-1882) um mestre querido. O iconoclasta sem martelo, que ensinava por toda a América a ousadia da construção do destino individual, foi um cientista da alegria, que cedo aprendeu que o coração da Natureza batia em uníssono com o seu. O panteísmo de Spinoza encontrara um eco profundo no coração do americano, que considerara cada indivíduo possuidor de um capital espiritual próprio, voltado para a beleza, a alegria, a amizade e a paz.

  

Emerson gostava de falar para a gente simples que o compreendia com o coração. “Cada homem, cada parte humana dessa entidade divina conhecida como humanidade, é um Deus em formação”, escrevera; e “este mundo pertence aos alegres, aos enérgicos, aos ousados”.

 

O panteísmo de Spinoza considerava que Deus e a Natureza são a mesma coisa; que o Universo é a realização de Deus, sua face visível, e os seus seres singulares são a manifestação de uma única substância.

 

Se a substância essencial e original do monismo de Spinoza está presente em tudo quanto existe, especialmente representada no homem, o amor fraterno deveria surgir no coração de todos os homens como resultado do sentimento panteísta. Onde não existe amor, não há evolução, ética nem moral.

 

“Não deverei eu chamar de Deus o Belo, que diariamente se mostra para mim no dom da Amizade?”, escreveu Emerson.

 

Ao constatar que as grosseiras muralhas dos defeitos humanos afastam os homens criando as inimizades, não podemos deixar de considerá-los como as causas do afastamento do homem de Deus, que está magnificamente representado em cada inteligência e sensibilidade humanas, as quais têm sido entorpecidas e petrificadas pela ignorância e preconceitos.

 

Lutar pelo aperfeiçoamento psicológico pessoal, identificando e combatendo os defeitos, que impedem o cultivo de amizades, como a intolerância, a vaidade, a ambição e o egoísmo, entre outros, é única forma inteligente de cultivar o panteísmo, que aproxima o ser humano de seus semelhantes, da Natureza e de Deus, para viver o aforismo axiomático de Abrahan Lincoln:

 

“Quando faço o bem, sinto-me bem. Quando faço o mal, sinto-me mal; esta é a minha religião”.

 

A síntese do panteísmo de Emerson é que “a essência de Deus é o amor”, e “um amigo é uma obra prima da Natureza”.

“O único modo de ter amigos é ser amigo”.